A escrita de madre Dubost: uma construção de si amparada na identidade vicentina

Melina Teixeira Souza

Resumo


Com o propósito de fundar o primeiro colégio feminino do Império em Minas Gerais, as vicentinas enfrentam meses de travessia marítima de Paris até o Rio de Janeiro e prosseguem viajando a cavalo. Irmã Dubost começa um diário e, ao chegar ao seu destino, envia correspondências mensais para os superiores franceses. O intuito de estudar a construção da subjetividade da madre a partir de sua produção autorreferencial motiva uma reflexão teórico-metodológica sobre a escrita de si, e suas implicações com o individualismo moderno. A investigação revela que dentre as delimitações identitárias mobilizadas pelo ato autobiográfico, o pertencimento à congregação se sobressai: ao relacionar vida religiosa feminina ao esforço missionário, as vicentinas ampliam a atuação do gênero numa instituição reticente ao protagonismo de mulheres, o que favorece o estabelecimento de laços grupais.


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